Papai Noel Aventureiro na Montanha Misteriosa

 


Papai Noel Aventureiro na Montanha Misteriosa


O inverno havia chegado cedo naquele ano em Campo Largo.

As araucárias dançavam sob o vento gelado, enquanto a névoa descia lenta pelas encostas do Morro do Cal, escondendo trilhas antigas que poucos ousavam percorrer depois do pôr do sol.

Na cidade, os mais velhos cochichavam histórias perto do fogão a lenha:

— Existe um tesouro enterrado nas águas profundas do velho poço…

— Ouro dos jesuítas…

— Protegido pelas almas dos escravos que morreram carregando riquezas pela mata…

— E pelo Bradador…

Só de ouvir aquele nome, o silêncio tomava conta da roda.


O Bradador.


A criatura que gritava no meio da floresta durante a madrugada.

Um som tão horrível que fazia até cachorro parar de latir.

Diziam que quem escutasse o chamado e respondesse… jamais encontraria o caminho de volta.

Mas naquela noite gelada, uma figura diferente subia a montanha.

Vestia casaco vermelho grosso, botas pesadas cobertas de barro, mochila nas costas e uma longa barba branca balançando ao vento.

Não era um explorador comum.


Era Papai Noel.


Ou melhor…


Abilio Machado, o Papai Noel aventureiro dos pampas.


Na mão direita, carregava um gorro vermelho com símbolos natalinos bordados à mão.

Na esquerda, um velho cajado de caminhada feito de madeira de imbuia.

Ele caminhava sozinho.

Ou quase.

A floresta parecia observá-lo.

Os galhos estalavam sem vento.

Sombras cruzavam entre os troncos.

E em certos momentos, era possível ouvir correntes arrastando-se ao longe.

Mas Papai Noel não tinha medo fácil.

Já havia enfrentado tempestades no sul, atravessado estradas congeladas e conhecido dores muito maiores do que fantasmas.

Ainda assim…

Naquela mata havia algo diferente.

Algo antigo.

Quando chegou perto do poço das águas escuras, o frio aumentou de repente.

A névoa girava sobre a água como se respirasse.

Então veio o grito.

Um brado profundo.

Desumano.

Longo.

As araucárias estremeceram.

Papai Noel apertou o cajado.

O som parecia vir de todos os lados ao mesmo tempo.

E então ele viu.

No reflexo da água, figuras surgiam lentamente:

homens acorrentados,

rostos cansados,

olhos perdidos no tempo.


Os antigos escravos.


Não eram monstros.

Eram memórias.

Almas esquecidas guardando uma dor que nunca encontrou descanso.


Papai Noel tirou o gorro da cabeça lentamente. Colocou a mão sobre a pedra ao lado do poço, desceu apenas um joelho ao chão, entoou uma oração que aprendera a muito tempo com seus pais...


Fez silêncio.


E pela primeira vez em muitos anos, aquelas sombras não avançaram.

Porque alguém finalmente olhava para elas sem medo…

e sem desprezo.


Uma lágrima caiu no poço.

Ao tocar a pedra Papai Noel teve a visão daquelas dores, daqueles rostos, de muitas histórias de perdas e alegrias, encantos e desencantos.

Em silêncio agradeceu a partilha, e pediu perdão ao passado. Mais lágrimas rolaram de seus olhos...


Então aconteceu.


A água começou a brilhar.


Do fundo escuro surgiu uma pequena caixa de madeira antiga, coberta de limo e ferrugem.


O lendário tesouro dos jesuítas.


Mas dentro dela não havia ouro.


Nem joias.

Sob a luz de uma lanterna, ele viu...


Havia cartas.


Centenas delas.


Cartas de crianças escritas há mais de duzentos anos.

Pedidos simples.

Sonhos pequenos.

Esperanças esquecidas pelo tempo.


Papai Noel sorriu emocionado.


Talvez aquele fosse o verdadeiro tesouro.


Não riquezas…

mas lembranças.


Ao longe, o Bradador gritou novamente.


Só que dessa vez…


o som parecia triste.


Quase humano.


O vento soprou forte.

A névoa começou a subir.

E as sombras desapareceram lentamente entre os pinheiros.


Antes de ir embora, Papai Noel colocou o velho gorro vermelho sobre uma pedra ao lado do poço.


Como um presente.


Como um pedido de paz.

Honrando aquela vidas esquecidas...


Na manhã seguinte, os moradores encontraram pegadas na trilha da montanha.


Grandes.

Fundas.

Cobertas por neve fina.


E ao lado do poço misterioso…


um pompom branco balançava sozinho ao vento.


Desde então, nas noites mais frias de Campo Largo, alguns juram ouvir passos na mata. Tilintar de pequenos sinos... Ruídos...


Não os do Bradador.


Mas de um velho aventureiro de barba branca…


protegendo os segredos da montanha encantada.

Os segredos do Morro do Cal.


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Abilio Machado

Papai Noel


Telefone 41 99845-1364 | 41 99635-3923

Instagram @papainoelabiliomachado


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