Na minha época...
Na minha época... Por Abilio Machado Tenho 60 anos. Sessenta. Não são mais 55, nem 50 — já atravessei oficialmente a fronteira onde muita gente da minha geração acredita que “cabelo branco” deveria vir com crachá vitalício de respeito e autoridade. Pois é… preciso te contar: não vem. O que vejo, na prática, é uma legião de profissionais que, em vez de estudar, se reciclar ou simplesmente admitir que o mundo mudou, preferem se esconder atrás da relíquia de museu chamada frase: “na minha época...”. Como se nostalgia fosse competência, como se lembrar de quando telefone tinha fio resolvesse os problemas de hoje. (E olha que ter telefone custava os olhos da cara e exigia fila de espera). Muitos acabam virando freio de mão puxado. Não inovam, não lideram, não arriscam. Armam barricadas contra qualquer mudança, sempre munidos de discursos emocionais que parecem saídos de novela mexicana. O resultado? Previsível: deixam de ser inspiração e viram estorvo. E o argumento da “experiência”? ...