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O cabo... - histórias de caserna

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  Sua Excelência, O CABO. Cabo:  Esse nome surgiu do Latim e significa cabeça, chefe, o que lidera!  Por isso falar mal de Cabo é falar mal da tropa!  Na ausência de um sargento é ele quem assume a função, tem que saber de tudo!  Afinal, ele é o Cabo!  A tão famosa frase: "Deixa que eu seguro"  surgiu para dar confiança ao soldado e tranquilidade ao sargento!  Cabo é tão importante que o ser humano resolveu adotá-lo em sua vida pelo mundo a fora...   Veja!  Por melhor que seja um machado, capaz de derrubar uma floresta inteira, certamente ele precisará de um bom Cabo para guiá-lo em seus golpes precisos e contundentes!  Enxadas, martelos e até mesmo uma arma de fogo precisam do Cabo...  Energia elétricas são transportadas por centenas de milhares de metros pelos... Cabos!  Quem não teve um equipamento eletrônico quebrado e ao levá-lo ao conserto aparece um técnico e diz:  "Era um Cabo que tava solto!"  Imagine ag...

O FUZIL E O VIGIA - uma história da caserna.

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  O fuzil e o Vigia O posto mais temido do batalhão, era a guarda de dias, longe do batalhão, apenas um grupo de jovens no meio do nada, a guarita  ficava no extremo do terreno, próximo a uma faixa de mata fechada que parecia engolir a luz da lua.  Durante o dia, era apenas um canto esquecido, cercado por arbustos, pedras e o silêncio comum dos lugares afastados. Mas à noite, transformava-se em outra coisa. Os soldados o chamavam de "o fim do mundo". Foi para lá que o soldado 1146 foi escalado naquela madrugada. Era jovem. Poucos meses de farda. Poucos meses longe da casa dos pais, falecidos no ano anterior, muito longe do seu estado. Poucos meses tentando parecer mais corajoso do que realmente era. Pegou seu fuzil, verificou a escala outra vez e caminhou sozinho pela estrada de terra que levava ao posto. Cada passo parecia afastá-lo da segurança das luzes daquele setor de guarda e aproximá-lo de algo desconhecido. Quando chegou, acomodou-se na pequena guarita, que ficava...

O mendigo que era todo seu...

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  O MENDIGO QUE ERA TODO SEU A noite está gelada, não tão frio como em anos passados, mas o corpo velho já não é o mesmo, hoje sofre mais, sente mais Um vento não sei vindo de onde entra pela malha dos fios, o corpo estremece, trepida sem comando algum, mas meus tremores não são meus, não, não são.  Meus tremores são só de imaginar o velho andarilho deitado sob a marquise, dos meninos perdidos pelas ruas e amontoados em si, tremendo de fome e medo entre o gole da garrafa e a bucha de lolo.  Meu Deus, por que tamanha desigualdade ? Aquele servil se hipnotiza diante da TV e se não pela religião doutrinária que lhe induz que ser assim é redimir-se, é exaltação. Que Deus mais cruel seria Este se assim quisesse dor, sofrimento, abandono e tristeza na solidão de noites mal dormidas, de angustias travestidas em alegres gritos do garrafão, da pinga que lhe fede o suor na pele seca e agora eriçada pelo frio. Viajo agora sentado no banco do ônibus e comentei a pouco com os outros d...

Papai Noel Aventureiro na Montanha Misteriosa

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  Papai Noel Aventureiro na Montanha Misteriosa O inverno havia chegado cedo naquele ano em Campo Largo. As araucárias dançavam sob o vento gelado, enquanto a névoa descia lenta pelas encostas do Morro do Cal, escondendo trilhas antigas que poucos ousavam percorrer depois do pôr do sol. Na cidade, os mais velhos cochichavam histórias perto do fogão a lenha: — Existe um tesouro enterrado nas águas profundas do velho poço… — Ouro dos jesuítas… — Protegido pelas almas dos escravos que morreram carregando riquezas pela mata… — E pelo Bradador… Só de ouvir aquele nome, o silêncio tomava conta da roda. O Bradador. A criatura que gritava no meio da floresta durante a madrugada. Um som tão horrível que fazia até cachorro parar de latir. Diziam que quem escutasse o chamado e respondesse… jamais encontraria o caminho de volta. Mas naquela noite gelada, uma figura diferente subia a montanha. Vestia casaco vermelho grosso, botas pesadas cobertas de barro, mochila nas costas e uma longa barba b...

Na minha época...

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  Na minha época... Por Abilio Machado Tenho 60 anos. Sessenta. Não são mais 55, nem 50 — já atravessei oficialmente a fronteira onde muita gente da minha geração acredita que “cabelo branco” deveria vir com crachá vitalício de respeito e autoridade. Pois é… preciso te contar: não vem. O que vejo, na prática, é uma legião de profissionais que, em vez de estudar, se reciclar ou simplesmente admitir que o mundo mudou, preferem se esconder atrás da relíquia de museu chamada frase: “na minha época...”. Como se nostalgia fosse competência, como se lembrar de quando telefone tinha fio resolvesse os problemas de hoje. (E olha que ter telefone custava os olhos da cara e exigia fila de espera). Muitos acabam virando freio de mão puxado. Não inovam, não lideram, não arriscam. Armam barricadas contra qualquer mudança, sempre munidos de discursos emocionais que parecem saídos de novela mexicana. O resultado? Previsível: deixam de ser inspiração e viram estorvo. E o argumento da “experiência”? ...

*O PERIGO DOS VELHOS AMIGOS*

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*O PERIGO DOS VELHOS AMIGOS* Outro dia eu estava no mercado quando vi entrando um amigo do tempo de quartel, que não via há muito tempo. Feliz com o reencontro me aproximei já falando alto: - Arnaldo, sua bichona! Quanto tempo!!!!   E fui com a mão estendida para cumprimentá-lo. O Arnaldo, muito íntimo de Dorow, me reconheceu, mas antes mesmo que pudesse chegar perto dele só vi o meu braço sendo algemado. - Você vai pra delegacia! - Disse um policial que passava no momento.   Eu sem entender nada perguntei: - Mas o que que eu fiz? - HOMOFOBIA! Bichona é pejorativo. Nessa hora, antes mesmo de eu me defender, o Arnaldo interferiu tentando argumentar: - Que isso policial? O coroa manco é quatro-olhos aí é meu antigo amigo desde sempre, éramos do mesmo pelotão, a gente se chamava assim já naquela época! E nessa hora o policial já emendou a outra ponta da algema no Arnaldão: - Então você tá detido também. Aí foi minha vez de intervir: - Mas meu Deus, o que foi que ele fez? - BULLYI...

Mary McLeod Bethune - voce conhece a historia ?!

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   Era uma menina negra, tinha 12 anos. Entrou na casa onde a mãe lavava roupas para brancos. De repente, viu algo que nunca tinha visto: uma biblioteca. Foi se aproximando, curiosa, como quem descobre um universo escondido. Estendeu a mão para um livro. E então, a filha do patrão a deteve com uma frase que atravessaria a alma: — “Você é negra. Negros não sabem ler.” Aquela frase não a calou. Aquela frase acendeu um fogo. E mudou o rumo da sua vida. Seu nome era Mary McLeod Bethune. Nascida em 1875, na Carolina do Sul, filha de ex-escravizados, a 15ª de 17 irmãos. Desde cedo conheceu o peso do trabalho — e da exclusão. Mas naquele instante diante do livro — negado não pela lei, mas pelo racismo — ela entendeu: O que separava negros de brancos não era a inteligência. Era o acesso à educação. E então ela decidiu romper esse muro. Caminhava 16 quilômetros por dia para estudar em uma escola para crianças negras. Aprendeu a ler. E fez da leitura uma missão. Ensinou os pais. Os irmã...