AMIGO DE INFÂNCIA: A TESTEMUNHA DO CRIME!
Ah, amigo de infância.
Aquele ser que viu você com dente torto, joelho ralado e cabeça raspada com aquwla maquininha de mão cortada na barbearia do Pio, te viu chorando depois das varadas de marmelo do seu pai, que te viu de pintinho pequeno nadando pelado no Rio Cambui — e ainda assim decidiu continuar sendo seu amigo. Isso não é amizade. É seita. É pacto. É ameaça velada.
"Amigo de Infância: A Testemunha do Crime"
Amigo de infância é o único ser humano que te viu com o nariz escorrendo, comendo terra atrás da escola, e ainda te chama de “irmão” com orgulho. Ele sabe coisas. Coisas que nem você lembra. Tipo aquela vez que você inventou que sabia beijar só porque viu na novela e ficou batendo dente com a prima do João na festa junina, e depois chorou insanamente porque todos gritavam:
_Tá namorando, Tá namorando.
Ele viu. Ele riu. Ele nunca esqueceu.
Enquanto os outros amigos te conhecem por quem você é, o amigo de infância te conhece por quem você foi — um pequeno delinquente com bafo de toddynho e fascínio por tamagotchi. É o único que tem moral pra virar e dizer:
“Você sempre foi assim, chato desde 1970.”
E você abaixa a cabeça e aceita. Porque ele tem provas. Em velhas fotos.
Com o amigo de infância não tem filtro. Você pode mandar um “acordei triste” e ele responde “merda tua, vai tomar sol.” Terapia? Ele é a anti-terapia. Mas também é quem chega com Fanta Uva e um pacote de Trakinas quando o mundo desaba. Porque ele viu você chorar porque perdeu a bola que ganhou no Natal. Ele sabe que você é sensível. Só finge que não.
Amigo de infância é cúmplice:
— das brigas com a professora de ciências,
— dos apelidos humilhantes no grupo da rua,
— da vez que vocês fingiram que o carrinho bateu e passaram horas gritando “CHAMA A AMBULÂNCIA!” com dramaticidade digna de novela mexicana. Na descida do morro do pocinho com os carrinhos de Rolim.
E hoje, vocês adultos, com boletos, hernias e crises existenciais, ainda mandam figurinha do Chaves e as vezes de nudes às 3 da manhã dizendo:
“Se a gente tivesse seguido aquele plano do clube de investigação alienígena, a gente tava milionário.”
Tava nada. Tava preso. Mas tudo bem.
Porque amigo de infância é isso:
É seu historiador não-oficial, seu exorcista de fases ridículas, seu lembrete ambulante de que você era muito mais bobo do que imagina. Quando andavam pelados com as calças na cabeça fingindo ser coçar de Índio. Testemunha in loco das disputas de quem faz xixi mais longe, das tentativas de troca-troca que finjo que não lembro mais. E que bom que existem memórias. Porque só ele te lembra disso com tanto sarcasmo e carinho. Ou sou eu quem lembra ele ?!
Vai lá, manda você esta mensagem pro seu amigo de infância. Diz “lembra quando a gente tentou cavar um túnel pro Japão no quintal da sua casa?” e espera ele responder “claro, idiota, você usou colher de plástico.”
Ou "Você lembra dos nossos sonhos?! Esquecemos que sonhos sempre acabam...A toda mudança de estação"
E se ele não responder, liga.
Vai que ele tá ocupado contando pros outros como você mijou na cama até os 10.
Né verdade ?!
Sou Abilio Machado, um escrevinhador da vida, vida de ontem e vida de agirá... espero que goste, deixe seu comentário e compartilhe com seu amigo de pequeno, afinal dia 20 de maio é dia do Amigo de Infância.


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